quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Mitos e Lendas de sua Gente - Série 04

Ficamos parados esses dias, mas as séries Mitos e Lendas de sua Gente, as nossas Lendas Pantaneiras não podem parar, não é mesmo?


Hoje falaremos da ONÇA - Um dos bichos mais respeitados pelo povo Sul-Mato-Grossense.




Nas lendas, nos poemas e nos causos, o homem e a onça observam-se a distância. O confronto cara a cara é sempre breve, equilibrado e acaba em tragédia para um ou para outro. A onça, como o símbolo da magia, é um tema freqüente tanto dos escritores, compositores, contadores das histórias da região, como dos escritores em todo o Brasil que ficaram fascinados pela região e dedicaram uma de suas obras a ela. Nas relatos orais e nas obras literárias a onça raramente perde a cara entregando-se ao homem. Existem poucas histórias que descrevem os casos assim e a onça sempre acha a maneira como sair do poder do homem onde não pertence e nunca pertencerá. De vez em quando o fazendeiro mata onça fêmea, porque ataca o seu gado, encontrando mais tarde os seu filhotes. Leva-os a casa e tenta criá-los. Mas isto é a vida que a onça não pode aceitar. Nasceu como predador, como governador da mata e para lá tenta voltar sempre. 

Isso confirma uma história que o povo conta na cidade de Nova Andradina no leste do Mato Grosso do Sul. Perto da cidade vivia um caçador das onças muito conhecido que criava duas onças pardas. Sempre andava com elas nas ruas da cidade como si fossem cachorros, mas um dia também elas acharam uma maneira como escapar dessa vida e fugiram de volta à natureza, à mata. Tanto na vida real, como na literatura e nas lendas são a onça e o homem como os dois polos implacáveis que têm muito em comum. Compartilham a vida complicada no meio do pântano infinito, a mata e os pastos, a vida que se transformou de maneira significante durante as últimas décadas. 

Como o apresenta Manoel de Barros no seu poema, o mundo pantaneiro mudou e com essa mudança está enfraquecendo também a força da onça, embora o seu mito ainda está vivo.(Hrusková, Lucie, 1984)

Postar um comentário