sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

O Pantanal e o Homem Pantaneiro

Trecho retirado da revista Cultura em MS de 2010




Muito se fala da beleza do Pantantal, das suas riquezas, da sua imensidão, mas esquecemos de quem vive lá e conhece aquela planície alagada melhor que qualquer pesquisador diplomado, este é o Homem Pantaneiro.


Homem Pantaneiro
Homem Pantaneiro Foto: Divulgação


Segundo a pesquisadora Maria Leda Pinto: O homem pantaneiro, que há muitos anos habita o Pantanal, aprendeu a viver com um mundo inundado, úmido ou seco. É um homem simples, calmo, acostumado à solidão e ao isolamento, mas não deixa de lado a solidariedade: está sempre pronto a receber, a informar, a servir de guia, a explicar sobre animais e água e a contar seus causos. É antes de tudo um forte que, atuando em uma área cheia de adversidades, está integrado a esse contexto. Com seu chapéu de palhas de abas largas na cabeça (o de feltro não é apropriado para as altas temperaturas do verão pantaneiro), calças jeans surradas e a camisa ou camiseta de mangas curtas e facão no cinturão, trabalha com o gado, sempre montado com seu cavalo.

Através do isolamento humano e geográfico, muitos hábitos e costumes do homem pantaneiro foram adquiridos dos paraguaios-guaranis, formando com outras contribuições a cultura pantaneira. O pantaneiro é assim uma pessoa calejada, quieta, observadora, porque segundo Barros, o Pantanal é uma área agressiva, difícil, exigindo de seus ocupantes, particularmente no passado, estóica aceitação. Multidões de insetos, além de répteis e outros agressores, em certas épocas do ano, fazem da vida insuportável, ainda hoje, aos que não têm o habito da convivência. Some-se o calor de 40 graus. Somem-se nos primeiros tempos, a solidão e o isolamento.


O Homem Pantaneiro. Foto: TV Brasil


O homem pantaneiro, característico neste universo, tem sua própria linguagem, sotaque específico da região onde vive, preserva muito um "dedo de prosa", é observador e atento, irônico e não perde o humor, assim como é especialista em colocar apelidos nas pessoas. Ele é um bom tocador de berrante, cada chamada, cada toque ou em linguagem pantaneira, cada som, tem seu significado; pode dizer se está na hora de alguém abrir a porteira, se é o momento do descanso, do pouso, enfim, do que se tem para fazer (NOGUEIRA, 2002). As distâncias e o difícil acesso às fazendas fizeram com que este ser humano se acostumasse ao isolamento e à solidão.

Na atualidade tem surgido uma nova atividade para o homem pantaneiro que habita na região do Pantanal – a atividade de guia de turismo. O homem pantaneiro está se tornando um peão-guia nas fazendas que estão investindo nessa nova atividade econômica e social.

O Pantanal não seria o que é sem o homem que o habita, o homem que faz a história do Pantanal e sua própria história.[...]

Por isso falar do pantanal e não se referir ao homem pantaneiro seria como, ao se falar sobre um rio esquecer-se de mencionar suas águas.


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