domingo, 27 de dezembro de 2015

História do Laço Comprido em Mato Grosso do Sul





A história do Laço Comprido como esporte em Mato Grosso do Sul tem sua origem na colonização do antigo estado de Mato Grosso, quando o mesmo não era dividido, e teve como base o triângulo: Homem, Boi e Cavalo. Para entender a importância e tradição dos clubes de laços, antes é preciso entender um pouco sobre o aparecimento dos gados e cavalos na região.

Laço Comprido. Foto: Reprodução.
Na prova do laço comprido, o cavaleiro deve laçar o animal pelos chifres antes que ele ultrapasse os 100 metros de distância. O competidor sai com uma armada (distância) de oito metros. As festas de Laço Comprido reúnem participantes de diversas regiões que competem pelos prêmios e praticam o esporte tradicional.

Segundo o Portal ABQM, o esporte nasceu dos trabalhos realizados em fazendas de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina. "Ocorriam rodeios para laçar, medicar e marcar o gado. Esse trabalho era feito em campo aberto e o laço em conjunto com o cavalo", comenta o juiz e inspetor oficial da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM) , Nilson Paulo Ricartes de Oliveira.



Mesmo com a maior racionalização das fazendas e diminuição da necessidade do uso do laço, Nilson Oliveira lembra que o gosto pela tradição e necessidade de difundir os costumes, transformou a arte de laçar em um esporte.

"Desse modo, surgiram os Clubes de Laço, neles equilibram-se a vontade de vencer, as qualidades dos peões e cavalos. O espírito esportivo e a confraternização entre os fazendeiros são fundamentais, uma vez que os clubes, além da preservação de costumes, agem como verdadeiros centros de encontros em cada região onde se estabelecem", argumenta Nilson Oliveira.


O ex-BBB conhecido como Fael, Rafael Cordeiro também pratica o esporte do laço comprido. Durante sua participação no reality show diversos sites de entretenimentos comentaram sobre o "esporte polêmico" poder prejudicar o rapaz a vencer. Os sites confundiram o laço comprido, esporte tradicional e divulgaram informações erradas a respeito, como a reproduzida a seguir: "Na prova do laço, um peão montado a cavalo deve laçar um bezerro pelo pescoço e amarrar três patas para imobilizá-lo. Mesmo que seja encarada como um esporte, há quem diga que a prática pode causar sofrimento e dor aos animais".

Como escrito no início da matéria, o esporte serve para medir a habilidade dos participantes, confraternizar e manter a tradição viva. Os animais são laçados pelo chifre e não pelo pescoço, como muitos sites divulgaram.

História do Laço Comprido em MS

Segundo informações da Federação de Clubes de Laço de Mato Grosso do Sul, a colonização de Mato Grosso se deve aos homens do campo, considerados os sustentáculos da economia dos estados, além dos mesmos serem responsáveis pelos clubes de laço.

A vinda de cabeças de gado e cavalos que tiveram que cruzar os sertões de Mato Grosso para chegar até Assunção, a capital e maior cidade do Paraguai, a pedido de Don Alvar Nunes Cabeça de Vaca, governador da época do Paraguai, em 1767, foi uma das responsáveis pelo extravio de animais pelas terras do estado.

No final do século XVII, Bandeirantes e Mamelucos vieram de São Paulo para essas regiões, caçando e preando índios, para levá-los como escravos para as lavouras de café e cana-de-açúcar, e acabaram se abastecendo com algumas cabeças de gado encontradas.

Os mineiros vieram para a região do Mato Grosso em 1842, hoje correspondente ao Mato Grosso do Sul, e conhecido como o município de Rio Brilhante, que chegou a ser considerado pelos mineiros como Campo das Vacarias, por conta de tanto gado encontrado.

Laço Comprido. Foto: Mundo Cowboy.

Durante a Guerra do Paraguai, em 1865, muitos gados serviram para o abastecimento das Forças Brasileiras que cruzaram a região e também o extravio de cavalos durante a Retirada de Laguna. Após a guerra, muitos soldados se mudaram para a região, pois ficaram encantados com as pastagens e fundaram fazendas de criação de gado.

Desde então, a pecuária não parou de se desenvolver no estado. O estado que era procurando somente por conta do ouro ou como caminho para as minas de prata do Perú, introduziu os animais por conta de Dom Luiz Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres, no final do século XVIII.

Clubes de Laços

O laço foi utilizado para a contenção dos animais, já que na época não haviam cercas e as criaturas podiam se tornar bravas e selvagens. Mais do que uma mera atividade, laçar torno-se fundamental para a sobrevivência do homem campeiro.


Trecho da Federação de Clubes de Laço de MS: "Com o tempo, os homens campeiros de Mato Grosso fizeram do laço uma ‘’arte’’ que foi sendo transmitida de pai para filho, de geração em geração. Temos dito que nossa sociedade tem duas épocas distintas: ANTES e DEPOIS dos CLUBES DE LAÇO".

A Federação acredita que antes da criação dos clubes de laço, período anterior ao ano de 1980, a juventude copiava o modelo americano de vida, já após a data, as pessoas passaram a valorizar mais as suas origens, usos e costumes.

A falta de documentação impossibilita contar a história do Laço Comprido no estado, segundo a Federação, na década de 70, o gaúcho José Albery Marçola, morador de Bela Vista incentivou os torneios de laço. Nesta mesma época, surgiu o Clube do Laço Bela Vista.

No ano da divisão do estado de Mato Grosso do Sul, em 1977, o primeiro torneio nacional de laço comprido foi realizado em Bela Vista que contou com a participação de clubes de laço de outros estados, como Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e laçadores de Ponta Porã, Maracajú, Laguna Carapã e Caracol.
Laço Comprido em Aral Moreira. Foto: Aral Moreira News.

Após o Clube do Laço de Bela Vista surgiram em Ponta Porã, o Clube do Laço Lino do Amaral Cardinal; em Caracol, o Clube do Laço Retiro do Caracol; o Clube do Laço de Laguna Carapã; em Maracajú e cada um dos clubes tinha regras próprias.

Natural de Lages (SC), José Atanásio Lemos Neto foi o responsável pela fundação do Clube do Laço de Guia Lopes e pela elaboração do seu estatuto considerando o laço comprido como um esporte.

Trecho da Federação de Clubes de Laço de MS: "Fomentou-se a criação de bons cavalos, incentivou-se a arte da domação e do adestramento, despertando, assim, o antigo amor pelas lidas campeiras, preservando USOS e COSTUMES dos nossos antepassados, promovendo a VALORIZAÇÃO DO HOMEM DO CAMPO, despertando nele a consciência de liberdade ilimitada e preservando o patrimônio cultural, representado pelos valores fundamentais de nossa formação histórica".

Em 1984 Atásio Neto foi eleito o primeiro presidente da Federação de Clubes de Laço do MS, responsável pela organização dos encontros de clubes de laço, de criar um esporte da família do homem do campo e de criar um órgão de representação da classe dos agro-pecuaristas.

A Federação de Clubes de Laço do MS tem como finalidades:

- Congregar todos os Clubes de Laço do Estado, como órgão hierarquicamente superior, a fim de que todos se rejam por um único Estatuto, com um Calendário Anual para os Encontros Oficiais, ter uma Comissão de Juizes, criar e divulgar todas as atividades esportivas ligadas ao cavalo.

- Cultuar a Tradição Campeira e Cultural do MS nas suas formas originais, não permitindo importações de usos e costumes estrangeiros que possam desvirtuá-la, sem distinção de credo político, religioso ou ideológico;

- Elevar o homem do campo, como símbolo das virtudes, do comportamento moral, da ética de trabalho e do progresso;

- Incentivar e divulgar o esporte do laço, tanto a pé como a cavalo, fomentar a criação de bons cavalos de trabalho, despertar nos homens rurícolas o antigo amor pelo "pingo" e pelas lidas campeiras, incentivar os peões na arte da domação e adestramento;

- Incentivar os esportes, as ciências e as artes ligadas ao campo, apoiar competições de cunho esportivo-rural;

- Contactar os Poderes Públicos no sentido de que a vida rural seja objeto de atenção cada vez maior por parte das autoridades e dos Poderes constituídos, pleiteando para as promoções da Federação e dos Clubes de Laço a ela filiados, a concessão de verbas e favores fiscais pertinentes.

* Texto escrito com pesquisa e informações encontradas no site da Federação de Clubes de Laço do MS

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