segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Cerâmica Kadiwéu

Texto: Ben Oliveira.

Quem visita alguns municípios e regiões turísticas do Mato Grosso do Sul, como a de Bonito / Serra da Bodoquena, encontra além das belezas naturais e diversos passeios de ecoturismo, os artesanatos produzidos pelos índios Kadiwéu, como a cerâmica conhecida internacionalmente como Cerâmica Kadiwéu.

Foto: Timblindim.

As cerâmicas produzidas pelos Kadiwéu são consideradas uma das melhores do Brasil por conta da forma e decoração e mesmo com o passar dos anos continua sendo feita através das mulheres indígenas utilizando a argila.

Segundo Siqueiro Junior, a cerâmica produzida pelos Kadiwéu demonstram habilidade dos ceramistas, estilo étnico e contribuem para a reafirmação das tradições culturais e preservação da identidade étnica do grupo.
Foto: Divulgação.

As cerâmicas indígenas representam uma fonte de economia familiar para os Kadiwéu que conta com o apoio de instituições para distribuir as peças para o Brasil e também para o exterior. Entre os objetos utilitários e decorativos produzidos estão os potes, panelas, jarros, moringas, placas e animais.

No artigo "Tradição e mudança: uma geografia da arte indígena Kadiwéu", escrito pelo Mestrando em Geografia, o autor explica que existem técnicas tradicionais que ditam a confecção das peças em cerâmica. Uma boa quantidade de argila de boa qualidade, geralmente, buscado no meio do cerrado, em terrenos alagadiços, às margens de lagoas e pequenos córregos; a retirada de impurezas, como galhos, pedras e folhas; produção do antiplástico que produz condições propícias para a secagem e queima da cerâmica; a queima das peças ao ar livre e a pintura realizada com o pau santo.

Foto: Divulgação.

Como a população sul-mato-grossense já está acostumada visualmente com a arte Kadiwéu, ainda de acordo com o autor do artigo, "valorizam pouco a cerâmica, o que indica a saturação desse mercado de artesanato em âmbito regional", os atuais compradores das cerâmicas são os turistas estrangeiros e de outros estados brasileiros.

Conhecidos como "índios cavaleiros", "guerreiros" ou Ejiwajegi, os Kadiwéu ocupavam parte do território do Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e do Paraguai, mas atualmente concentram-se unicamente no Mato Grosso do Sul. Segundo José Luiz de Souza, os Kadiwéu são os únicos representantes da família linguística isolada Guaikuru, no Brasil.

Os índios Kadiwéu se concentram na Reserva Indígena Kadiwéu, localizado ao norte do município de Porto Murtinho, em uma área com a presença do Pantanal Sul-mato-grossense e da Serra da Bodoquena.
Além da arte em cerâmica, os Kadiwéu são conhecidos por viver da caça, coleta e criação de gado. Dentro da Reserva Indígena, os indígenas se comunicam na língua deles, além de utilizarem o português.

Memorial da Cultura Indígena. Foto: Ben Oliveira.

Em Campo Grande (MS) as peças podem ser encontradas no Memorial da Cultura Indígena, localizada no bairro Tiradentes, local onde foi instalada a Aldeia Marçal de Souza, conhecida como Aldeia Urbana, e na Casa do Artesão.

*Com informações do artigo "Tradição e mudança: uma geografia da arte indígena Kadiwéu", escrito pelo Mestrando em Geografia, José Luiz de Souza
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